Hoje é domingo de Páscoa. Domingo que veio no pacote de um feriado. O último prolongado no ano. E os chocolates? Foi isso que você perguntou, eu sei. Não me venha com essa de que hoje a desculpa é o frio. Segunda-feira está aí e o seu arrependimento também.
Gosto de chocolate, mas sem doença. Apesar disso, cometi um pecadinho coelhístico esse ano. Ao leite, maciço, recheio truffado com maracujá. Foi na medida. Na medida da ansiedade. Na medida do especulação capitalista da data.
Em meio à divulgação dos confeitos e guloseimas, vi uma comentário na televisão. O homem dizia que enquanto "nossas crianças" são intoxicadas pela indústria do chocolate, se faz necessário lembrar aos pais o verdadeiro significado de renovação da Páscoa. Renovação, meu amigo, só do desejo de lucrar mais a cada ano.
A (curta) memória ocidental ajuda a apontar esse gatilho para a sua cabeça. Deslizamentos, pacificação de comunidades, enchentes e até genocídios em escolas, já estão suprimidos. Enterrados. Sem chance de vir à superfície e tatear os ovos do coelho.
Sim, estou ácida hoje. Mas não tão sulfuricamente eficiente quanto a indústria cultural que prega o significado de renovação da Páscoa.

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